Livro da Rede Internacional Infâncias Protagonistas reúne trabalhos, pesquisas, relatos e experiências do Brasil e de outros países sobre acolhimento e inclusão

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A Rede Internacional de Pesquisa Infâncias Protagonistas: Migração, Arte e Educação, sediada no Departamento de Artes Cênicas (CEN/UnB), lançou o e-book gratuito Infâncias migrantes e refugiadas: acolher com arte e educação. Projeto que ganha destaque na Semana Anual do Migrante e Refugiado, celebrada entre 19 e 23 de junho, o livro é resultado de mais de dois anos de colaboração entre pesquisadoras, educadoras e artistas de diferentes países. 

 

A publicação integra o projeto Infâncias Protagonistas: uma proposta colaborativa de criação de políticas públicas para a integração de crianças migrantes e refugiadas nas escolas brasileiras. Com diversas atividades referentes à temática, a iniciativa foi aprovada na chamada do Programa de Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Humanidades (Pró-Humanidades), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), lançada em 2022. 

 

“O livro surge a partir desse projeto aprovado em 2022, num edital muito grande. Ele tinha uma linha voltada para questões migratórias, e eu já trabalhava com o tema e a escuta de crianças migrantes há mais de dez anos”, relembra a professora Luciana Hartmann, coordenadora da rede.

 

Professora no Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Brasília, com mestrado e doutorado em Antropologia, ela revela que o edital “foi uma oportunidade de unir várias pessoas com formações interdisciplinares que trabalham com infâncias migrantes”. Ela conta ainda que a ideia inicial não era "ter uma rede acadêmica, mas envolver a comunidade e população migrante”. 

 

O foco da rede interdisciplinar é desenvolver ferramentas teóricas e metodológicas que viabilizem a inclusão e o acolhimento efetivo de crianças e jovens imigrantes e refugiados. A iniciativa é composta por professoras da educação básica e do ensino superior, crianças e famílias imigrantes e refugiadas, profissionais que atuam em organizações não governamentais (ONGs) e membros da sociedade civil. Conta ainda com a colaboração de bolsistas de ensino médio, mestrado, doutorado e pós-doutorado.

 

Em 2025, a rede recebeu premiação na categoria Tradução do Conhecimento em Direitos Humanos, no Prêmio de Incentivo à Pesquisa em Direitos Humanos do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC).

Rede Infâncias Protagonistas foi reconhecida na categoria Tradução do Conhecimento em Direitos Humanos, no Prêmio de Incentivo à Pesquisa em Direitos Humanos, em dezembro de 2025. Foto: Arquivo pessoal

 

PUBLICAÇÃO – O que pensam, falam, sonham, desejam as crianças migrantes? Como cantam, dançam, pintam, brincam, imaginam seus mundos e outros mundos possíveis? Que histórias elas contam e quem ouve suas histórias? O livro busca, justamente, oferecer respostas para essas perguntas ao longo de três seções: Travessias, contextos, histórias e memórias; Escola, linguagens artísticas e outros mundos possíveis; e Literatura, tradução e contação de histórias.

 

De modo geral, o e-book propõe reflexões por meio de textos em variados formatos, que conjugam arte e educação. “Em 2024, começamos esse movimento de organizar uma compilação do trabalho já desenvolvido pela rede”, comenta Luciana. Foi então que uma chamada unificou as atividades, hoje desenvolvidas em 15 estados brasileiros e em mais sete países.

 

“As colegas mandaram seus trabalhos, e um comitê gestor ficou responsável pela organização desta coletânea. Assim, quatro professoras e uma bolsista de pós-doutorado, na época, avaliaram os artigos para entender como eles seriam apresentados”, explica a pesquisadora.

 

O grupo achou importante mesclar vários formatos, que não só o de artigos acadêmicos. No texto de apresentação, Manuelys Quiaragua, uma das bolsistas de iniciação científica do ensino médio a integrar o projeto, fala sobre sua experiência como jovem migrante refugiada.

 

Ao longo das 454 páginas, o livro apresenta resultados de pesquisas, ações artísticas e colaborações multidisciplinares realizadas por membros da rede, em 26 trabalhos realizados no Brasil, em Portugal, na Colômbia e em Moçambique. A publicação é um convite a escutar, caminhar e aprender ao lado das infâncias que migram, bem como a acolher, por meio das linguagens artísticas, e reconhecer as crianças e os jovens como protagonistas destas travessias e de processos transformadores.

 

“A ideia do livro é a de colocar essas ações em contato e evidenciar esse amplo trabalho com as crianças migrantes refugiadas. As linguagens artísticas podem funcionar como ferramentas de comunicação, expressão e inclusão, superando barreiras linguísticas e favorecendo a integração”, afirma Luciana.

 

A iniciativa amplia a percepção sobre a atuação da Universidade de Brasília (UnB) na valorização dos direitos humanos e em prol de uma sociedade mais equânime e democrática, como propõe a campanha institucional de 2026.

 

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