Liderado pelo Instituto de Psicologia (IP) da UnB em parceria com a Universidade de Oxford, o projeto Protagonistas está desenvolvendo um chatbot para interagir com estudantes do ensino médio e inspirá-los a construir um ambiente escolar mais solidário e acolhedor.
Um chatbot é um programa de computador ou interface baseada em Inteligência Artificial (IA) projetado para simular conversas humanas, seja por texto ou voz, em tempo real. Eles interpretam o contexto, respondem perguntas e executam tarefas automatizadas.
Por meio de uma história interativa em que o estudante participa ativamente das decisões que podem levar a diferentes desfechos, é possível potencializar habilidades como escuta ativa e empática, comunicação não julgadora, saber a quem pedir ajuda e autocuidado. Habilidades que podem fazer a diferença na hora de enfrentar um problema ou apoiar um amigo.
A ferramenta também pode inspirar ações coletivas que melhorem a convivência e promovam o bem-estar. Outra iniciativa do projeto é a criação de uma ferramenta digital específica para professores que pode ajudá-los no trabalho de criar com os alunos escolas mais inclusivas e participativas.
“A participação juvenil é o foco do Protagonistas”, resume a professora do IP Sheila Murta, líder do projeto na UnB. "Crianças, adolescentes e jovens também têm direito à participação. Quando eles participam, se tornam mais autoconfiantes, gostam mais da escola, desenvolvem mais amizades, aprendem melhor, desenvolvem habilidades de liderança, fortalecem projetos de vida e podem até ter melhor renda e mais êxito profissional na vida adulta, segundo algumas pesquisas”, destaca. “Escolas e comunidades em que há maior participação se tornam mais seguras, mais coesas e acolhedoras”, observa.
HISTÓRICO – Protagonistas dá sequência ao projeto Engajadamente, desenvolvido entre os anos de 2021 e 2022 por estudantes e professores brasileiros, em parceria com a empresa de tecnologia Talk2U.
A equipe mapeou aspirações e barreiras de jovens de todo o Brasil sobre o protagonismo de cada um na promoção da saúde mental.
Como resultado, à época, foi criada a chatstory Cadê o Kauê?, uma ferramenta interativa e gamificada no formato de bate-papo on-line que aborda o poder do protagonismo juvenil para enfrentar os desafios de saúde mental de jovens.
Uma chatstory (ou "história de chat", em português) é um formato de narrativa ficcional contada inteiramente por meio de conversas em aplicativos de mensagens, como WhatsApp, iMessage ou chats de redes sociais.
A chatstory foi levada a escolas do Distrito Federal e ajudou estudantes a compreenderem como poderiam agir diante de situações reais enfrentadas no cotidiano escolar. A experiência ajudou professores a iniciar processos de diálogos com os adolescentes, que passaram a ser ouvidos e a protagonizarem ações coletivas e de apoio mútuo.
Agora, a missão é ampliar o alcance da ferramenta, fortalecendo o treinamento de educadores e tornando a ferramenta acessível offline – daí o redesenho de chatstory para chatbot.
COLABORAÇÃO – Além da capacitação de professores, nessa nova fase do projeto, o objetivo será avaliar, aperfeiçoar e ampliar o alcance da ferramenta, que será levada a mais escolas país afora.
Comitês de professores e estudantes do ensino médio da rede pública vão trabalhar lado a lado com os pesquisadores, planejando as fases do estudo e coproduzindo a ferramenta digital para educadores. Agora mesmo há um edital aberto para Seleção do Comitê de Co-Design de Professores, em fase de análise de documentos. As atividades começam em março.
Interessados em colaborar com o projeto em atividades como pesquisa, criação do treinamento de professores e construção da avaliação de jovens devem acompanhar a página do projeto para ficar por dentro das oportunidades.
PROJEÇÃO – O projeto Protagonistas busca lançar as bases para futuramente integrar essas inovações a políticas públicas no país que promovam não só a saúde mental de jovens, mas também uma cultura de paz nas escolas.
“Esperamos que esta junção de expertises produza recursos educativos inovadores que sejam relevantes, engajadores, viáveis e eficazes para encorajar atitudes, criar autoconfiança, desenvolver habilidades no apoio aos pares e para organizar ações coletivas na escola que apoiem a saúde mental dos adolescentes”, diz a professora Sheila Murta.
Financiado pelo governo britânico via Economic and Social Research Council, o projeto envolve uma rede de pesquisadores do Brasil e Reino Unido, liderados pelas professoras Sheila Murta, do Departamento de Psicologia Clínica da UnB, e Gabriela Pavarini, do Departamento de Políticas e Intervenções Sociais da Universidade de Oxford.
Colaboram a Universidade Federal do Amazonas (AM), a Universidade SENAI-CIMATEC (BA), a Universidade Federal de São Carlos (SP) e a Universidade Tuiuti do Paraná (PR). A expectativa é de que a ferramenta esteja disponível para as escolas entre 2028 e 2030.
No vídeo abaixo, pesquisadores explicam o trabalho de construção da chatstory Cadê o Kauê?, em 2022: